Funchal - Cidade do Açúcar
Inicialmente, dedicaram-se à plantação de cereais que, dada a fertilidade do solo,
serviu para a subsistência local e para abastecimento ao continente português, assim
como às armadas portuguesas das expedições africanas. No entanto, o cultivo da
cana-do-açúcar e do vinho não demoraram em aparecer.
De começo, a cana-do-açúcar, trazida da Sicília, segundo parece, era espremida em
alçapremas (processo manual) e trapiches (pela força animal). Porém, a partir de 1452,
constrói-se o primeiro engenho de água para fabrico do açúcar na Ribeira de Santa Luzia,
precisamente a ribeira central das três que atravessam o Funchal.
Em pouco tempo, a fama da Madeira depressa alastrou pela Europa em virtude da
produção do magnífico açúcar. A partir da década de 60 já se exportavam grandes
quantidades do precioso «ouro branco» para Inglaterra e especialmente para a
Flandres.
Desde cedo a Madeira concorre, em larga vantagem, com o açúcar vindo do Levante,
então transportado para a Europa pelas Repúblicas de Génova e Veneza. E o açúcar que
até aí era considerado um luxo, quase privativo das cortes reais e das casas dos grandes
senhores, passou a uma fase de expansão que, podemos dizer, «democrática», dada a
acessibilidade a outras classes da população europeia.
Atraídos pelo comércio açucareiro, chegam ao Funchal mercadores e povos dos mais
diversos países que muito contribuíram para o seu desenvolvimento, o que fez com que
fosse elevado a vila por meados do sec. XV, e, em 1508, recebesse o estatuto de cidade
dado pelo rei D. Manuel I.
Notável, é o facto do Funchal ter sido a primeira cidade construída por europeus nas
misteriosas e novas terras atlânticas.
Outro factor de grande relevância, que resulta ainda do rico comércio açucareiro,
reside no nascimento da primeira rota obrigatória dos europeus nas novas terras
atlânticas. Ia-se à Madeira, mais precisamente ao Funchal, seu único porto, de propósito,
só para comerciar açúcar.
A partir dos fins do sec. XV exportava-se regularmente açúcar para Portugal,
Inglaterra, Flandres, Bretanha, Rochela, Ruão, Génova, Veneza, Roma e Constantinopla.
Para melhor compreensão do fenómeno agrícola local, diga-se que a abundante produção
agrícola açucareiro quase se limitava à parte soalheira da costa sul da ilha - de Machico
até à Fajã da Ovelha. Este facto explica, em grande parte, o tardio povoamento do norte
da Madeira.